Aproveitar melhor o que nos foi dado

Aproveitar melhor o que nos foi dadotaria de a viver?

Ter uma vida além do trabalho é um privilégio. As ideias que se seguem são para aqueles que buscam uma forma melhor de viver o trabalho. Comecemos com uma pergunta fundamental: a forma como trabalha permite-lhe viver a vida como gostaria de a viver?

Quando o primeiro 1.º de Maio aconteceu, lutava-se por um horário de trabalho que permitisse viver. As pessoas passavam a maior parte do tempo nas fábricas, a troco de salários baixíssimos, sem possibilidade de apoiarem os filhos e viviam nas piores zonas da cidade. Em “Tempos Difíceis”, Charles Dickens deixa-nos uma imagem vívida de uma zona operária: «(…) várias ruas amplas todas muitas semelhantes entre si, habitadas por pessoas identicamente semelhantes entre si, que sempre saíam e entravam às mesmas horas, com o mesmo ruído sobre os mesmos pavimentos, fazendo o mesmo trabalho, e para quem todos os dias era o mesmo dia, de ontem e de amanhã, e todos os anos o duplicado do último e do seguinte».

Esta vida em modo automático, com rotinas esmagadoras, sem viver uma vida com significado ainda nos acontece.
Muitos de nós não conseguem aproveitar o que nos foi dado com o 1.º de Maio. Metas altas, objetivos apertados, prazos curtos, desejo de colocar o nosso nome no mapa, faturar a sério, a pressão do líder, são tudo coisas que podem existir na sua vida, hoje.

Convido-o a refletir sobre a vida que quer viver.
O trabalho é apenas uma das dimensões da nossa vida. Estruturante. É verdade. Tanto, que tenho dedicado a minha carreira a analisar o mundo do trabalho e a acompanhar profissionais para que consigam duas coisas muito importantes na vida: desempenho profissional e bem-estar. E para mantermos ambas em equilíbrio precisamos de respeitar-nos enquanto pessoas.

O nosso trabalho, seja ele qual for, deve estar alinhado com a vida desejada.
Imagine a sua vida partida em várias áreas a que dá importância: trabalho, família, amigos, lazer, desenvolvimento pessoal, fé, voluntariado. Se estas áreas ou outras são importantes para si, deve regular o seu trabalho, de maneira a que exista espaço para elas. Provavelmente, a pergunta seguinte ajudará com isso.

Trabalha com a carga certa?
A pressão é uma constante do trabalho – até porque um trabalho sem qualquer pressão é, de facto, um aborrecimento e “mata-nos” de outra forma. O que importa é ter a pressão que quer e a carga certa para poder trabalhar e viver da forma desejada.

No meu livro, “A Bíblia da Carreira”, falei muito sobre o trabalho vivo: as coisas imprevisíveis e que tornam o trabalho desafiante, obrigando-nos a ser inteligentes e a recriar o que fazemos. Repare neste comentário que recebi de uma leitora:

Para mim, o trabalho ‘vivo’ é algo que nos alimenta, que nos dá a adrenalina para correr riscos e que nos transforma, mas devemos sempre fazê-lo com ‘conta, peso e medida’ e alinhado com o nosso propósito!” Sandra Melo, National Key Account Manager da Continental

Quando trabalhamos com a carga certa, saímos mais vezes do trabalho com a sensação de estarmos a cumprir a nossa missão e com capacidade física e mental para outras dimensões da nossa vida.

Na prática, ter a carga certa é:

  • trabalhar num ritmo que lhe permite ter foco, em vez de estar constantemente em multitasking;
  • ter tempo para pensar no que faz, em vez de agir apenas em automático;
  • poder falar com pares e superiores para ter apoio e oferecer apoio, na procura de soluções e na tomada de decisão;
  • ter um horário de início e de fim para o trabalho, para conseguir recuperar do esforço realizado e ter espaço para as outras dimensões da vida.

Quando trabalha numa empresa, esta carga certa tem de ser negociada a maioria das vezes.
E um trabalho mais equilibrado em termos de carga produz não apenas bem-estar para as pessoas, mas também produtividade para a empresa. Quando fazemos o nosso trabalho sempre sufocados e sem margem para reflexão, a inovação, a colaboração, a melhoria de processos ficam em suspenso. Oferecemos vezes de mais o possível, em vez do melhor. Então, arranje espaço de manobra para manter um trabalho vivo e inteligente.

Um trabalho que faz viver.
Os trabalhadores da era industrial eram tratados como uma massa indiferenciada de recursos humanos. Pessoas a quem não era reconhecido valor. Agora, que estamos para além da área do conhecimento e as empresas estão sempre à procura de talento, há que valorizar as pessoas da forma certa. E isso significa valorizar as suas ideias, o seu conhecimento, as suas capacidades. E não apertá-las com carga psicológica e emocional impossível de suportar. Então, deixo-lhe o desafio: negoceie tempo para um trabalho com qualidade para poder fazer a diferença!

Está a trabalhar para chegar até aos setenta?
De facto, apenas 50% dos trabalhadores portugueses acredita ser capaz de fazer o seu trabalho aos sessenta anos. A média europeia está nos 71%. E eu acho que este número tem muito que se lhe diga[1] se pensarmos que as carreiras vão até aos setenta.

Olhe para um atleta. Os corredores, por exemplo, têm uma alimentação regrada, descanso, métodos de recuperação (massagens e fisioterapia, por exemplo) e um plano de treino adaptado ao seu calendário. Há um conjunto de fatores em torno da performance. E nós, profissionais de outras áreas, o que fazemos? Às vezes, tratamos com enorme desrespeito o nosso corpo, faltando-nos sono, comida adequada, tempo de descanso e relações significativas.

Do que precisa, então, para estar bem?
Deixe-me falar-lhe de condições gerais a qualquer pessoa:

  • 7 a 9 horas de sono;
  • 3 refeições principais e 2 lanches;
  • 2 litros de água;
  • Tempo com as pessoas significativas;
  • Atividade física regular – se me disser, que trabalha no quintal todos os dias, também conta!;
  • Ter contacto regular com a natureza.

É simples. Não é? Mas… existe na sua vida?
Ou tudo isto está em suspenso até aquelas três semanas de férias anuais?

O meu conselho é que viva a vida de forma íntegra, em vez de a viver aos soluços.

Por fim, os corredores de velocidade costumam fazer transições para corridas mais longas. Quer pelo desgaste, quer pela maturidade. Ou seja, não é só porque ficamos velhos e incapazes (deixe-me apertar bem o estereótipo) que devemos alterar a nossa maneira de trabalhar. É porque sabemos. Aguentar uma maratona exige estratégias refinadas e preparação de elite. Se vai para uma reunião de trabalho e tem 20 anos de carreira, já tem um guião muito mais afinado do que quando era júnior e estava a apalpar terreno. Seja, então, intencional. Que mudanças precisa de fazer para trabalhar de forma mais adaptada à fase de carreira e de vida em que está?

Está a aproveitar o que lhe foi dado?
Deixe-me lembrar-lhe as perguntas, agora sob a forma de conselho:

  • Trabalha para viver a vida como gostaria de a viver?
  • Trabalhar com a carga certa?
  • Trabalhar para chegar até aos setenta?

São três ações para aproveitar melhor o que nos foi dado.

Referências:

[1] – Moreira, Gonçalo e Fries-Tersch, Elena, Trabalho mais seguro e saudável em qualquer idade – Inventário por país: Portugal, Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, 2015. Disponível aqui (consultado a 27 de Abril de 2021).

Este artigo foi publicado originalmente em Simply Flow by Fátima Lopes

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2021-05-13T15:47:59+00:00